Saúde emocional

Esquecimento normal ou sinal de que algo precisa ser investigado?

A régua não é o esquecimento isolado: é a mudança em relação ao que a pessoa conseguia fazer antes.

Cesar Coutinho, psicólogo

Por Cesar Coutinho • Psicólogo • CRP 06/223499

4 min de leitura • Publicado em 22 de setembro de 2026

Senhor idoso em casa, procurando calmamente os óculos sobre a mesa, ao lado de um livro e das chaves.

Entrar num cômodo e esquecer a que se foi, demorar para achar uma palavra, perder os óculos. São experiências comuns em qualquer idade. A preocupação começa quando a mudança passa a interferir no que a pessoa fazia sozinha até pouco tempo atrás.

Resposta rápida

Esquecimento pode ser parte normal do envelhecimento. Demência não é. O que diferencia não é o episódio isolado, e sim a frequência e o prejuízo nas atividades.

O que pode fazer parte do envelhecimento

O National Institute on Aging, dos Estados Unidos, afirma de forma direta que o esquecimento pode ser uma parte normal do envelhecimento — e, na mesma frase, que a demência não é. A demência envolve perda de funções cognitivas, como pensar, lembrar, aprender e raciocinar, e de habilidades de comportamento, a ponto de interferir na qualidade de vida e nas atividades da pessoa.

O mesmo instituto lembra que perda de memória, embora comum, não é o único sinal: pessoas com demência podem ter também dificuldades de linguagem, de percepção visual ou de atenção, e algumas apresentam mudanças de personalidade.

A comparação publicada pelo NIA

Envelhecimento normal e demência, segundo o National Institute on Aging
Envelhecimento normalDemência
Tomar uma decisão ruim de vez em quandoTomar decisões e julgamentos ruins na maior parte do tempo
Deixar de pagar uma conta em um mêsTer dificuldade para cuidar das contas do mês
Esquecer que dia é hoje e lembrar depoisPerder a noção da data ou da época do ano
Às vezes não achar a palavra certaTer dificuldade para manter uma conversa
Perder coisas de vez em quandoGuardar coisas fora do lugar com frequência e não conseguir encontrá-las

O que mais pode afetar a memória

É possível que problemas de memória venham de fatores que não são demência nem envelhecimento. O National Institute on Aging lista, entre eles, traumatismo craniano, coágulos, tumores ou infecções no cérebro, problemas de tireoide, rim ou fígado, efeitos colaterais de medicamentos, condições de saúde mental como depressão e ansiedade, uso problemático de álcool ou outras drogas, problemas de sono, níveis baixos de nutrientes importantes como a vitamina B12 e alimentação insuficiente. E acrescenta: esses problemas costumam desaparecer quando a condição é tratada com sucesso.

Há ainda uma causa que raramente é lembrada e que conecta este assunto a outra fase da vida. O mesmo instituto observa que eventos importantes, traumáticos ou estressantes também podem causar problemas de memória: alguém que se aposentou recentemente, ou que está lidando com a morte do cônjuge, pode se sentir triste, só, preocupado ou entediado, e lidar com essas mudanças deixa algumas pessoas confusas ou esquecidas. Segundo o NIA, esses problemas de memória ligados a emoções negativas costumam ser temporários e melhoram conforme o estresse passa.

Por onde começar a investigação

  • 1. Registrar o que mudouQuando começou, com que frequência acontece e o que exatamente deixou de ser possível.
  • 2. Levar a um médicoO NIA orienta conversar com o médico se os problemas de memória persistirem por mais de algumas semanas, porque pode ser sinal de algo mais sério.
  • 3. Revisar saúde e medicamentosVários itens da lista de causas possíveis são tratáveis, e o tratamento costuma resolver o problema de memória junto.
  • 4. Acompanhar ao longo do tempoO NIA sugere que pessoas com problemas de memória marquem retorno para reavaliação a cada seis a doze meses.

O que a psicologia faz aqui

O acompanhamento psicológico não substitui a investigação médica e não estabelece diagnóstico de demência. O que ele pode apoiar é a ansiedade que os lapsos provocam, a adaptação a mudanças de rotina, a comunicação dentro da família e o humor — que, como o próprio NIA aponta, é um dos fatores capazes de afetar a memória. Quando a investigação médica está em curso, os dois caminhos andam juntos.

O que importa não é um esquecimento isolado, e sim a mudança em relação ao que a pessoa conseguia fazer antes.

Perguntas frequentes

Como esta publicação foi feita

Texto psicoeducativo apoiado na página do National Institute on Aging sobre problemas de memória, esquecimento e envelhecimento, e na Organização Mundial da Saúde, consultados em 22 de setembro de 2026. A comparação apresentada é a publicada pelo próprio instituto e descreve exemplos gerais, não critérios diagnósticos.

Fontes

  1. Memory Problems, Forgetfulness, and Aging — National Institute on Aging (acesso em 22/09/2026)
  2. Mental health of older adults — Organização Mundial da Saúde (acesso em 22/09/2026)
  3. Psychotherapies — National Institute of Mental Health (acesso em 22/09/2026)

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Cesar Coutinho, psicólogo

Cesar Coutinho

Psicólogo • CRP 06/223499

Cesar Coutinho é psicólogo clínico, CRP 06/223499, com especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo IPq-USP. Atende presencialmente em Indaiatuba e on-line.

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